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09/09/2010
Dom Messias fala sobre o Tempo Comum

As reflexões, orações, salmos, trechos de homilias, catequese, histórias e também a riqueza que a Igreja tem como herança, estarão disponíveis aqui para você.
Ouça, reze, e medite com Dom Messias dos Reis Silveira, Bispo da Diocese de Uruaçu/GO.

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:: Especiais > Ano Diocesano de Conversão Pastoral


Homilia de Dom Messias - Missa 14/02/2009 (sábado).



ANO DIOCESANO DA CONVERSÃO PASTORAL

DIOCESE DE URUAÇU

Homilia Dom Messias dos Reis Silveira

Missa Sábado 7:30h

Textos: Atos 2,1-5, Salmo 85, Lucas 3,1-14


Na homilia de hoje Sábado dia 14 de fevereiro Dom Messias disse:

No final da primeira proclamação da Palavra de Deus foi apresentado que um grande número de pessoas que ouviram o anúncio fizeram uma adesão a Jesus. Se converteram, ouviram o anuncio e manifestaram sua adesão a Cristo.

Estamos perguntando o que devemos fazer para continuarmos a ser colaboradores de Jesus. Essa pergunta nos incomoda. Nós acostumamos muito com a realidade que vivemos, com as situações experimentadas diariamente.

Quando ainda eu era seminarista estudante de filosofia deparei-me com o texto que dizia; “sei que não devia, mas a gente se acostuma”,a gente acostuma com a dor, com a alegria, com o sofrimento. Sei que não deveria, mas nos acostumamos.

Às vezes nos acostumamos com nosso agir pastoral, com as pessoas que freqüentam a igreja, com as atividades que fazemos, e nos damos por satisfeitos. Tiramos conclusões erradas, acabamos dizendo que as pessoas não querem nada.

Uma vez eu participei de uma palestra de Paulo Freire dizendo que um homem foi pescar e ele levou um anzol pequeno para pescar peixes pequenos. Durante o dia sempre pescava peixes pequenos e então ele disse: “neste rio só tem peixes pequenos”, porém, na verdade o rio tinha peixes grandes, só que o instrumento que ele utilizava era para pegar peixes pequenos. A sua conclusão foi errada.

Nós estamos também nos perguntando: Que devemos fazer? Nós enquanto Igreja Diocesana, que estamos elaborando nosso plano diocesano de pastoral, desejamos que esse plano contemple os passos de conversão, do nosso agir pastoral. Desejo que nós, Igreja Diocesana, possamos refletir esta realidade. Nós não começamos do zero. Já vimos nossa historia diocesana, foi feito também um levantamento a partir das paróquias e setores, temos até algumas propostas.Temos uma orientação da Igreja através do Documento de Aparecida, das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, uma Declaração que foi feita no final da Assembléia do Povo de Deus no ano passado, no Regional Centro-Oeste. São orientações que vão nos ajudar, nos orientando.

Queremos que haja uma grande inquietação, nos grupos, nas reflexões, nas homilias. Cada um vai fazendo essa pergunta: O que devemos fazer para ajudar nossa Igreja a caminhar neste grande processo de evangelização de vida nova em Cristo Jesus?

Talvez no final do nosso caminho de reflexão cheguemos à conclusão de que pouco devemos mudar. Todavia, o importante é que tenhamos feito a reflexão, a avaliação da nossa caminhada diocesana. Precisamos estar abertos e atentos. Algumas questões me vêm à mente. Ontem a noite, nós rezamos o texto de Atos dos Apóstolos, sobre o Pentecostes, que diz que os apóstolos receberam o Espírito Santo e falaram outras línguas. Pensei também a respeito das línguas que hoje temos necessidade de falar para que a identidade com Jesus, o encontro com Jesus aconteça. Aquela língua que seja capaz de evangelizar as pessoas, por exemplo, que estão envolvidas no mundo do crime. Com que linguagem nós chegamos lá? No mundo da política? Nas escolas? Faculdades? Mundo Acadêmico? Juventude? Com a linguagem inspirada pelo Espirito, precisamos estar abertos a essa nova comunicação, capaz de levar a vida de Cristo as pessoas. Por exemplo, entraremos agora no tempo de Quaresma. Precedendo o tempo de Quaresma, vai existir o carnaval, que antes era uma festa da Igreja.

Neste tempo oferecemos algumas oportunidades. Muitas paróquias oferecem as oportunidades de encontros, retiros, carnaval com Cristo, mas existe um grande número de pessoas que não vão nesses encontros, mas vão participar, talvez, do carnaval de rua, de outros encontros.

São pessoas batizadas, que tem Cristo no coração. Não são pessoas ruins e não podemos ficar do lado de cá pensando: “Olha, aquele pessoal que está lá é ruim, aquele mundo é ruim!”.

Não! São filhos e filhas de Deus. O que devemos fazer diante desta situação? Amar estas pessoas.

Um grande número destes jovens que estão lá, foram batizados, estão crismados, são pessoas que amam a Deus.

Sei que há grandes desafios aí... Como ser cristão neste ambiente? Como ser presença cristã, sem perder a identidade?

Jesus ia entrando assim. Ele entrava na vida dos pecadores, não se separava, apresentava a necessidade de conversão. Quantos ali o olhavam e então o percebiam a necessidade de mudança! Eu me recordo, ainda quando éramos seminaristas, o reitor falou assim: - Vocês podem ir assistir ao desfile de carnaval.

Nós fomos e os padres também. Uma mulher olhou para o Padre e disse:

- Padre, o Senhor aqui? E o padre respondeu:

- Mas a senhora também não é da Igreja?

- Sou!

- A senhora aqui também? E então?!?

E muitos dos que estavam ali era gente boa, gente que ia à Igreja, que participava, comungava. No desfile não tinha nada assim de extraordinário, era muita cultura, tinha muita cultura nas músicas. Então, o que fazer? Como ser presença cristã ali também e em outros lugares como, por exemplo, lá no futebol, no trabalho. O que fazer? Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre. O que devemos fazer hoje diante da situação das famílias desestruturadas, com tantos conflitos, com os casais que passaram pela dor da separação e hoje estão, talvez, numa segunda união? Como acolher e trazer para dentro da Igreja estas pessoas, de tal forma que elas realmente sintam-se amadas, não se sintam excluídas e sintam que são filhas de Deus, que fazem parte da comunidade. Trazemos a dor e a dificuldade que passaram ou estão passando, mas que precisam ser amadas por todos nós. O que fazer? Nós, Igreja, o que devemos fazer? Devemos continuar pescando com anzol pequeno ou podemos buscar algo diferente?

Na posse do Pe. Wolney fiz uma reflexão. O objetivo geral da Igreja é evangelizar, anunciar o Evangelho. Então, que possamos aproveitar todas as situações. Ás vezes usamos uma linguagem que até espanta as pessoas. Por exemplo dizemos: ‘Gente, vai haver o curso de noivos..., curso para batismo com presença dos pais, padrinhos!’. São detalhes pequenos, mas que talvez o ato de mudar a linguagem e também o conteúdo, a forma como agir, pode ajudar muito.

Por que não dizer: ‘Vai haver a Evangelização de noivos e, a partir da evangelização, o preparo para o sacramento do Matrimônio’. Porque não dizer: ‘Evangelização de pais e padrinhos para o sacramento do Batismo’? Assim tira-se um pouco a idéia e resistência que algumas pessoas tem sobre os cursos, aquela coisa pesada. O que devemos fazer? Eu tenho feito muitas crismas nas paróquias, nas comunidades, e vejo ali muitas vezes aqueles jovens com as túnicas, descalços, querendo que termine a celebração para tirarem a túnica. Alguns ficam tão desengonçados, atrapalhados com aquelas túnicas no meio da canela. Feio demais! Que devemos fazer? Devemos continuar desse jeito ou devemos ouvir os jovens, a Igreja? É deste jeito mesmo? Nós vamos continuar assim ou vamos mudar alguma coisa, fazer alguma adaptação? Vamos atualizar? O que devemos fazer? De repente, podemos chegar a concluir: ‘É isso mesmo, vamos continuar assim’. Então está bom. Houve reflexão.

Ás vezes vou em comunidades rurais e começo a perguntar:

- Vocês se reúnem aqui?

- Sim! Reunimos para a missa uma vez por mês e para rezarmos o terço.

- Ótimo! Mas vocês não se reúnem para celebrar, ouvir a palavra de Deus? Vocês têm um ministro da comunhão na comunidade de vocês?

Às vezes é uma comunidade grande. Eu pergunto:

- Vocês não tem ainda o Sacrário aqui na comunidade de vocês?

Que devemos fazer?

Eu acredito que muitas coisas, se realmente nos abrimos, perguntamos, o Espírito de Deus vai suscitar algo em nós para sermos uma Igreja nova, renovada pelo Espírito de Deus e uma Igreja que vai colaborando muito com o Cristo.

Talvez esteja então na hora de trocarmos os anzóis. Nós precisamos de um pouco de anzol pequeno, mas também de outros maiores. Talvez precisemos desinstalar um pouco, sair da acomodação. Sei que não devia, mas a gente acaba acostumando. Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre! A conversão deve-se dar-nos métodos e não no conteúdo.

Então, meus irmãos e irmãs, estejamos abertos à reflexão e a levemos para frente, para dentro de nossas comunidades, para todos os lugares. E assim, aos poucos, nós queremos chegar ao final do ano com o nosso plano de pastoral elaborado, não como uma camisa de força, dizendo assim: ‘Agora todos tem que entrar, aqui é desse jeito’, mas depois de concluído ainda permaneceremos abertos ao que o Espírito de Deus vai nos suscitando. A Igreja tem mais de dois mil anos e sempre o Espírito traz algo novo para a sua Igreja. Oxalá, a gente realmente possa assim crescer, estar abertos ao que Deus vai nos ensinar. Conversão Pastoral depende também da conversão de cada um, da mudança da nossa mentalidade. Converter é uma grande exigência, não é muito fácil. Muitas pessoas passam à vida inteira lutando, querendo e buscando a sua conversão. Deus nos ajude! Imaculado Coração de Maria conceda para nós as graças necessárias e neste tempo em que tanto necessitamos.

 


Ano Diocesano de Conversão Pastoral

  09/09/2009 - Plano Diocesano de Pastoral em Discussão.

  04/06/2009 - Mensagem final da abertura do Ano de Conversão Pastoral.

  04/06/2009 - Reunião da Comissão das Questões Sociais.

  20/05/2009 - COMISSÃO FAMÍLIA - FORMULÁRIO.

  14/05/2009 - Homilia de Dom Messias - Missa 14/02/2009 (sábado).

  14/05/2009 - Hino: É TEMPO DE CONVERSÃO.

  14/05/2009 - Pronunciamento de Dom Messias na Abertura do Ano Diocesano de Conversão Pastoral.


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