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Homilia de Posse de Dom Messias dos Reis
Silveira
“Ninguém te condenou, eu também não
te condeno. Podes ir, e de agora em
diante não peques mais”!!!
“Permanecei em Mim”.
Excelentíssimo D. Lorenzo Baldisseri,
DD. Núncio Apostólico no Brasil.
Excelentíssimos Dom Alberto Taveira, DD.
presidente do Regional Centro Oeste e
Dom João Braz DD. presidente eleito do
Regional Centro Oeste e nosso
metropolita.
Excelentíssimo Dom José Chaves DD. Bispo
emérito de Uruaçu.
Excelentíssimos Arcebispos, Bispos e
administradores diocesanos.
Reverendíssimo Pe. José Augusto DD.
Administrador Diocesano de Guaxupé.
Reverendíssimos padres, diáconos,
religiosos e religiosas.
Excelentíssima Marisa DD. Prefeita de
Uruaçu.
Execelentíssimas autoridades civis e
militares.
Queridos seminaristas.
Queridos irmãos e irmãs.
No Templo o povo se reuniu em volta de
Jesus. Naquela reunião as pessoas
esperavam algo Dele. Queriam receber uma
mensagem para a vida. Estavam atentas a
todas as palavras e gestos Dele.
Enquanto Jesus ensinava, chegaram
algumas pessoas com desejos maldosos,
tinham um coração duro, nada afeiçoado à
misericórdia. Aquelas pessoas apoiadas
na lei queriam ouvir de Jesus uma
palavra que confirmasse a condenação da
mulher adúltera. Jesus é misericordioso.
A sua misericórdia faz com que as
pessoas revejam a sua vida, olhem para
si mesmas. Encontramos na Última Ceia de
Jesus com seus apóstolos um exemplo de
como rever a vida a partir Dele. Quando
Jesus anunciou que um apóstolo iria
traí-lo, cada um dos que estavam
presentes se auto-questionou. “Acaso
serei eu, Senhor”? Cada um olhou
para dentro de si mesmo.
A misericórdia de Jesus deve estar
presente nos seus discípulos. Ele quer
discípulos misericordiosos. O discípulo
de Jesus não deve se alegrar com o
fracasso das pessoas. O seu prazer deve
ser o de ver as pessoas se salvando.
Deus oferece à pessoa humana a
oportunidade para buscar aquele
aperfeiçoamento de vida, desejado por
Jesus para todos os seus seguidores.
Isso significa não abandonar os caminhos
da santidade.
“Ninguém te condenou? Perguntou o
Mestre. Ninguém Senhor, respondeu a
mulher. Eu também não te condeno, podes
ir, e de agora em diante não peques
mais”.
Jesus, o Filho amado do Pai deu a
liberdade para mulher perdoada continuar
construindo sua vida.
Essa nova possibilidade e caminho novo
nós ouvimos também na primeira leitura:
“Não relembreis coisas passadas, não
olheis para fatos antigos. Farei coisas
novas e já estão surgindo”. As
lembranças amargas de pecado, de
infidelidades, de aridez espiritual, de
abandono do projeto de Deus devem ser
transformadas em uma espécie de adubo
para ajudar a planta nova crescer e dar
frutos.
Deixe para trás toda lembrança ruim e
continue a construção da vida mesmo
sendo uma pessoa frágil e pequena. Na
fragilidade se abrem caminhos, eles
surgem aos pés de quem ama e não teme a
dor. A mulher perdoada tinha ainda um
longo caminho a percorrer.
Uma notícia alvissareira veio para o
povo no texto sagrado: “Abrirei uma
estrada no deserto e farei correr rios
na terra seca”. Que notícia alegre
para os que viviam sem esperanças! Deus
deu e dá alento ao seu povo.
Estamos no mundo como que realizando uma
grande romaria rumo a uma profunda e
plena comunhão com o Senhor. Como
romeiros devemos glorificar o Senhor,
enquanto percorremos o caminho da vida.
No caminho encontramos muitas pessoas
reconciliadas com a vida e com Deus. A
reconciliação se estende à natureza e
aos animais. Da terra brota um solene
louvor a Deus. O louvor deve brotar da
vida nova por causa da missão neste
chão.
É bom louvar a Deus experimentando a
força da ressurreição. Acreditando nesta
força somos chamados a não nos
prendermos a nenhuma escravidão, a não
cultivar desejo de condenação, a tirar
lições do sofrimento e trilhar um
caminho de construção da vida solidária
zelando pela nossa santificação. “Podes
ir e de agora em diante não peques mais”.
É com estes pensamentos suscitados pela
Palavra de Deus que agora me encontro no
meio de vocês, como bispo desta nossa
amada Diocese de Uruaçu.
Sou uma novidade para vocês e vocês são
uma novidade para mim. Não tenhamos medo
desta novidade, pois ela vem de Deus, é
Ele quem fez com que os nossos caminhos
se encontrassem. Vamos caminhar juntos
olhando para o horizonte lá onde
encontraremos os sonhos de Deus. Vamos
orientar juntos os nossos corações para
Deus. Procuremos mutuamente nos
conhecer, amar e servir. Quero
conhecê-los a partir do coração. Eu
disse no dia em que fui ordenado e
repito aqui que já os amo e amarei ainda
mais.
Tomar posse para mim significa passar a
pertencer a esta Igreja Diocesana. Vindo
do chão das gerais, mais precisamente da
Diocese de Guaxupé, chego nestas belas
terras goianas, chego para viver a vida
goiana e mais precisamente para ser
servidor do Evangelho nesta nossa
querida Diocese de Uruaçu. Não venho
falar de Deus, mas a partir de Deus.
Para que nossa comunicação seja frutuosa
tive a ousadia de desejar permanecer
sempre em Cristo. Permanecei em Mim
é o lema escolhido para a minha missão
episcopal. Quero que este lema seja
sempre expressão do amor capaz de criar
laços de solidariedade e vida no Senhor.
Desejo que todos permaneçamos n’Ele,
lançando nossas raízes nas águas do seu
Santo Espírito . O salmo 01 e o capítulo
17 do profeta Jeremias nos mostram que a
árvore plantada à beira das águas
permanece viçosa, dá abrigo aos
pássaros, produz sombra e dá frutos.
Desejo que todos nós permaneçamos em
Cristo.
Sei que muitas pessoas vão querer ouvir
as minhas palavras, mas também vão
querer ouvir o meu silêncio, que brota
da contemplação do mistério de Deus. No
silêncio orante decidiremos peregrinar
rumo à comunhão de vida de irmãos em
Cristo e Nele permaneceremos. Permanecei
em Mim.
Sei que para tomar posse, antes de
qualquer coisa, é preciso acolher a
orientação de Deus, pois é Ele quem me
enviou. Após ter feito uma longa viagem
no deserto, o povo peregrino chegou
diante da terra prometida, a avistou e
recebeu de Deus uma orientação. Ele
ordenou que entrasse, mas tomasse
cuidado para não se esquecer da lei. Era
preciso guardar a orientação que vinha
d’Ele para que a vida fosse uma bênção.
A lei de Deus para nós hoje é o amor. “Este
é o meu mandamento: amai-vos uns aos
outros como eu vos amei” (Jo 15,12).
Onde reina o amor, Deus aí está.
Tomar posse, amparado por Deus,
significa ter aquela certeza e confiança
da presença d’Ele, que animou Josué
quando entrava na terra da promessa. “Assim
como estive com Moisés, estarei contigo.
Jamais te abandonarei, nem te
desampararei”.
Aqui venho, irmãos e irmãs, deixando que
a planta de meus pés toque este chão. Na
medida em que vou tocando nesta terra
vou me comprometendo com vocês. Tocar os
pés neste chão goiano significa sair de
mim, significa ter uma existência
voltada para fora de mim mesmo a fim de
encontrar-me com os pobres, com os
doentes, com os fracos na fé, com os
injustiçados, procurar as ovelhas
perdidas e estar aberto ao diálogo com o
diferente sem perder a identidade
cristã.
Colocar a planta dos pés neste chão
significa em mim e para mim estar aberto
ao acolhimento de todos. Eu quero ser
pai, irmão e amigo de vocês. Vou
facilitar o máximo para que possamos nos
encontrar sem medo. Faço do meu coração
a morada para todos. Quero zelar com
carinho daqueles que me foram confiados.
Quero ser para vocês as mãos estendidas,
os pés diligentes, o peito que afaga;
não o pastor que enxuga o pranto, mas o
que chora junto; quero ser o Cireneu na
vida dos necessitados; o profeta que
traz a mensagem de Deus e desejo que
permanecendo em Cristo, brilhe em nossas
vidas o esplendor da santidade à qual
pelo batismo somos chamados. Desejo que
vençamos o mal com a força de Deus e
nossas esperanças não sejam confundidas.
O saudoso papa João Paulo II disse uma
palavra bonita sobre a missão episcopal.
“Sei, disse ele, que muitos
defendem o poder episcopal como
precedência: são as ovelhas que devem ir
atrás do pastor, e não o pastor atrás
das ovelhas. É possível concordar com
essa afirmação, mas sabendo que o pastor
deve ir à frente no dar a vida pelas
ovelhas; pois é ele quem deve ser o
primeiro no sacrifício e na dedicação.
Ressuscitou o bom pastor que deu a vida
pelas suas ovelhas” (PP. J. Paulo
II). Assumo para mim, diante de vocês
esta orientação de João Paulo II.
Entrei no bonde da História desta Igreja
Diocesana. História que começou há 50
anos e foi conduzida por dois dignos
pastores: Dom Francisco Prada e Dom José
Chaves. Embora me sinta muito pobre para
esta nobre missão, sei que Deus está
comigo e não me abandonará. Sinto-me
sereno, pois sei que posso contar com a
ajuda dos padres, diáconos,
seminaristas, religiosos e religiosas,
cristãos leigos e leigas e com todos os
organismos, que estão a serviço da vida.
Agradeço a presença do senhor Núncio
Apostólico, D. Lorenzo Baldisseri, dos
senhores arcebispos, bispos, padres,
diáconos, seminaristas, religiosos e
religiosas, autoridades, e cristãos
leigos e leigas.
Agradeço a presença dos amigos e amigas
que vieram da Diocese de Guaxupé. Somos
duas Dioceses que se abraçam. Agradeço a
participação do padre José Augusto
Administrador Diocesano de Guaxupé dos
outros padres e seminaristas da Diocese
de Guaxupé (20). Continuaremos sendo
irmãos.
Queridos diocesanos de Uruaçu, quero
agradecer-lhes a participação em minha
posse. Já me sinto acolhido por vocês.
Em breve começarei a visitá-los nas
paróquias.
A Dom José Chaves que com grande zelo
apostólico conduziu esta Diocese a nossa
gratidão. O senhor continuará sendo
nosso amigo, pai e irmão. Esta Diocese é
sua casa e aqui estão os filhos que o
senhor gerou na fé. Permaneçamos unidos.
A vocês queridos padres, diáconos e
seminaristas de Uruaçu. Saibam que vocês
têm um lugar muito especial em meu
coração. A minha casa será a casa de
vocês. Na convivência vamos nos
conhecendo e o conhecimento a partir do
coração deve gerar em nós uma profunda
amizade que nos faça felizes. Como é bom
os irmãos viverem juntos numa só fé,
cheios de esperanças e amor.
Desejo que a convivência com os
religiosos e religiosas faça existir
entre nós uma frutuosa colaboração
espiritual e pastoral. Somos irmãos
nesta bonita família diocesana.
A vocês queridos cristãos leigos e
leigas desejo que cada um viva com
alegria o seguimento de Jesus. Somos
todos responsáveis uns pelos outros.
Quero ser para vocês um pai que os ama
muito.
Agradeço a acolhida da senhora prefeita
Marisa e de todas as autoridades.
Quero ser bispo para todos: crianças,
adolescentes, jovens, adultos e anciãos.
Como é bom estar no meio de vocês.
Aproveito este momento para comunicar
que o Pe. Antônio Teixeira continuará
sendo o Vigário Geral da Diocese.
Dom José Chaves terá poderes de Vigário
Geral e isso significa que ele terá
liberdade para atuar na Diocese. Peço de
maneira especial aos padres para que o
convidem para celebrar nas paróquias,
especialmente nas novenas dos
padroeiros.
Aproveito para confirmar todos os padres
nos seus respectivos cargos que estavam
exercendo antes do Santo Padre divulgar
a aceitação da renúncia de Dom José
Chaves.
Eu quero neste momento fazer um
agradecimento especial à minha família,
que veio participar deste momento
significativo não só para mim, mas para
a Igreja. Obrigado pela presença de
vocês. Não estarei longe de vocês. Quem
ama, mora perto, mora dentro do coração.
Vocês, meus familiares moram dentro do
meu coração e de vez em quando os meios
de comunicação e de locomoção nos
colocarão próximos fisicamente. Mas vale
lembrar que a presença física não terá
significado se não existir a presença
afetiva. Saibam que os amo e Cristo será
nosso ponto de referência. Nele nos
encontraremos através de seu amor e de
nossas orações.
Enfim sou o novo pastor em meio ao meu
povo. Bendito seja Deus por esta nossa
Diocese de Uruaçu. Permaneçamos unidos
em Cristo para que possamos produzir
muitos frutos. Permanecei em Mim. Amém!
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